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Grupo
de Trabalho II
O impacto das crises econômicas e financeiras na região
Presidido pelo deputado Marcelo Stubrin, da Argentina
O Grupo de Trabalho II abordou o tema "O impacto das crises
econômicas e financeiras na região". A discussão esteve
baseada na conferência magistral do Dr. Roberto Frenkel, intitulado "Globalização
e crises financeiras na América Latina".
Concluída a palestra do Dr. Frenkel, os integrantes do Grupo de Trabalho
II fizeram suas contribuições citando as seguintes considerações:
As crises financeiras são decorrentes de um sistema que, atualmente,
carece de regras que permitem prever o seu comportamento, assim como demonstra
a aparição sucessiva e recorrente de episódios desta natureza
em diferentes mercados emergentes, incluindo países que, em um momento
dado, foram considerados modelos bem sucedidos de inserção na
economia global.
As sociedades são menos vulneráveis às crises financeiras
e econômicas, na medida em que seu regime político é mais
democrático e transparente e suas contas públicas administradas
de forma ordenada. Portanto, um dos elementos necessários que devem ser
tomados em conta na edificação de sistemas econômicos sólidos
e estáveis, é a formulação e implementação
de políticas públicas que controlam a corrupção.
Do mesmo modo, o parlamento desempenha nesta área um papel fundamental,
produzindo instrumentos legais adequados e modernos e supervisionando o comportamento
correto das autoridades e instituições encarregadas de executar
estas políticas.
Não obstante o anterior, comentou-se que a origem do problema deste tipo
de crise é multifatorial, por isso deveria considerar-se elementos tais
como: métodos de negociação de dívida externa, determinação
do risco soberano que influi na taxa de juros, e também a ausência
de princípios reguladores comuns e regras claras que fortaleçam
a segurança jurídica neste setor. Ou seja, as soluções
devem ser aperfeiçoadas a partir de uma visão multidisciplinar,
porque além das implicações econômicas deste tema,
existem também considerações de índole política.
Da mesma forma, determinou-se que nos últimos anos o saldo líquido
dos fluxos de capital na região tinha sido negativo, sem que isso significasse
uma redução da dívida externa da América Latina,
o que indica a necessidade de buscar mecanismos que propiciem uma nova arquitetura
financeira internacional.
Preocupa muito o fato de que as crises financeiras possam impactar severamente
nos setores menos protegidos da sociedade, por via dos ajustes orçamentários,
já que desta maneira diminui a credibilidade do sistema democrático
e, conseqüentemente, a capacidade de ação política
dos governos é debilitada.
Assim mesmo, é evidente que os países pequenos são
mais vulneráveis às crises, e deve-se portanto levar em conta
essa situação para elaborar políticas econômicas
conforme essa realidade.
Frente a essa situação, é importante que nossas instituições
e autoridades atuem com transparência dentro de um esquema equilibrado,
para assim controlar a corrupção e estabelecer um ambiente com
regras claras.
Sem desprezar o grave problema econômico e financeiro que gera a corrupção,
é importante ressaltar que o sistema financeiro internacional funciona
de maneira a produzir grande instabilidade, o que requer a criação
de formas e regras que permitam aumentar os níveis de certeza nas relações
financeiras internacionais.
Essas formas e regras inovadoras eventualmente poderiam envolver a cessão
de parte da soberania dos estados nacionais a instituições internacionais
afim de reduzir o risco inerente à atividade financeira internacional.
É imperativo que a comunidade internacional implemente uma nova arquitetura
financeira; é necessário aprofundar os mecanismos de integração
interregional e solicitar às instituições financeiras internacionais
a revisão de suas propostas de política econômica, no sentido
de que as mesmas devem propiciar o crescimento econômico e não
se tornarem elementos adicionais que tendem a ocasionar recessões.
Recomendações:
O papel das instituições interparlamentares, como o FIPA, deve
ser o de incentivar a cooperação horizontal, o intercâmbio
de práticas bem sucedidas, a homologação normativa e a
criação de fóros para a discussão e o debate de
temas cruciais e estratégicos para o fortalecimento de nossas economias.
Portanto, é necessária a criação pelo FIPA de um
Grupo de Análise Periódica que estude a situação
financeira internacional. Este grupo pode funcionar usando as ferramentas de
conectividade virtual disponíveis.
É fundamental fortalecer a função de controle e fiscalização
do parlamento, a determinação da orientação política
e programática de nossos governos, considerando os princípios
de eficiência, eficácia, economia e qualidade nos diferentes programas
e serviços públicos, assim como os indicadores que possam ter
sido definidos para medir os resultados da gestão institucional e conseguir
a transparência na prestação de contas. Esta orientação
deve servir para prever e prevenir as conseqüências das crises financeiras.
Também é muito importante avançar rumo a novas formas jurídicas
que permitam a reestruturação financeira dos países em
um ambiente ordenado, evitando assim que os problemas da dívida externa
sejam agravados por fortes recomendações que tenham um impacto
na determinação do risco soberano.
É preciso melhorar a qualidade da integração da região,
incluindo a coordenação de políticas macroeconômicas,
com a finalidade de fortalecer a posição negociadora perante as
instituições financeiras internacionais.