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Inter-Parlamentary
Forum of the Americas
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Grupo
de Trabalho I
Interação entre a política fiscal e o comércio,
o crescimento e o desenvolvimento social
Presidido pela Senadora Silvia Hernández, do México.
A primeira sessão iniciou com as apresentações
do Dr. Claudino Pita, Diretor de Planificação e Estratégias
do Centro Interamericano de Administrações Tributárias,
seguido pelo Dr. Alberto Barreix, do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
O Dr. Pita fez uma palestra sobre "Harmonização
e Sistemas Tributários na América," na qual expôs os
principais fatos e os desafios relativos ao tema, que são: a tecnologia
das comunicações, a busca da competitividade, a integração
econômica, a interdependência, o controle de preços de transferência,
a tributação e o comércio eletrônico, e a harmonização
tributária, entre outros.
Ele explicou que as características dos sistemas tributários do
continente, em termos gerais, são a eqüidade, de forma que a carga
tributária recaia sobre os contribuintes de maior capacidade; a neutralidade,
de modo que os impostos não gerem distorções que determinem
a posição dos fatores de produção; e a simplicidade
dos sistemas que os torne transparentes, de confiança e de certeza jurídica.
O desafio suscitado é a obtenção de rendas suficientes
por meio da combinação destes fatores.
Os novos desafios nos conduzem à necessidade de realizar reformas para
adequar os sistemas tributários e, desta maneira, evitar efeitos indesejáveis,
tais como os incentivos que reduzem a capacidade de execução das
políticas públicas do Estado. Neste sentido, conclui-se que o
objetivo das reformas futuras é o de alcançar a suficiência,
a eqüidade e a neutralidade.
O conferencista ressaltou que a necessidade de harmonizar os sistemas tributários
dos países da América se fundamenta no fato de que, hoje em dia,
há uma discriminação contra os bens provenientes do exterior,
uma distorção nas condições de concorrência
e na localização dos investimentos.
O Dr. Alberto Barreix abordou o tema "Os Desafios da Política Tributária
relacionados com a Integração Econômica Regional."
Ele iniciou sua palestra mencionando a crise fiscal pela qual passam todos os
países da América Latina, com um déficit fiscal que não
conseguem superar. Ele explicou que toda política fiscal consta de três
componentes: as rendas, as despesas e o financiamento.
Em relação à abertura comercial, o Dr. Barreix indicou
que essa contribui à redução e uniformidade das taxas alfandegárias,
o que limita a política industrial e as rendas dos setores protegidos.
Outro aspecto implícito é a restrição das políticas
setoriais a políticas unicamente de incentivos tributários; e
também a equiparação de produtos e insumos em nível
internacional.
O conferencista afirma que a abertura comercial traz consigo desafios
inerentes à integração, assim como as perdas de arrecadação
por redução tarifária. Por outro lado, ele mencionou que
os subsídios ou as barreiras tarifárias afetam os países
em desenvolvimento, porque baixam de maneira artificial os preços dos
produtos que não são subsidiados e, em conseqüência,
reduzem os cofres das nações, tanto as desenvolvidas como as em
desenvolvimento (renda perdida).
Do mesmo modo, o Dr. Barreix disse que é necessária uma harmonização
dos procedimentos alfandegários, de maneira a permitir o cumprimento
apropriado das normas de origem e a institucionalização relativa
aos acordos de resolução de controvérsias e mecanismos
que garantam a segurança jurídica dos investimentos e melhorem
a classificação de risco-país.
Após a conclusão das apresentações, seguiu um período
de participação dos parlamentares, que dirigiram perguntas e argumentos
aos conferencistas dentro do contexto da integração hemisférica.
Uma das constatações dos parlamentares foi a falta de similaridade
dos sistemas tributários da América Latina com relação
à ALCA e à União Européia, o que gera o debate sobre
com quem associar-se. Isto tudo resulta em amplas negociações
em nível bilateral e plurilateral.
Uma das parlamentares participantes achou que se deveria tributar as transações
especulativas (capitais "andorinhas") no mercado de divisas, conhecido
como imposto "Tobin", com exceção das transações
destinadas às operações de exportação e importação
de bens e serviços e de investimentos em ativos produtivos, como é
o caso dos investimentos estrangeiros diretos.
Na mesa surgiram questões de importância fundamental para o debate,
tais como:
1. De que maneira a harmonização tributária
afeta o processo de integração?
2. Os atuais modelos tributários são compatíveis com a
integração à qual aspiramos?
3. A descentralização administrativa e tributária é
compatível com a integração, tendo em conta que esta é
uma decisão eminentemente política?
4. Como nivelar as economias em desenvolvimento para competir com as economias
desenvolvidas num esquema de abertura comercial, tendo em conta as assimetrias
que as caracterizam?
Em termos gerais, a sessão do primeiro dia concluiu com
as seguintes reflexões:
1. O período de perguntas e respostas iniciou com a interrogante básica
"os parlamentares querem ou não a integração?"
No transcorrer do debate, no entanto, concluiu-se que a integração
é um fato inevitável, a questão é como fazê-la.
A tarefa que enfrentam os parlamentares é a de conseguir consensos tanto
na harmonização tributária, como em outros temas de integração.
2. A integração não é um fim em si mesmo, senão
um recurso para atingir o desenvolvimento sócio-econômico do hemisfério.
Uma das ferramentas mais importantes para chegar a essa meta é um sistema
tributário eqüitativo, transparente e eficiente.
3. A integração procura alcançar o desenvolvimento harmônico
dos países membros. Por isso é necessário reconhecer as
diferentes situações relativas. A desigualdade das condições
existentes necessita de processos de compensação afim de aproveitar
todo o potencial econômico para o benefício mútuo dos sócios,
garantindo a igualdade de oportunidades. Essas compensações podem
ser outorgadas como vantagens comerciais ou financeiras.
4. Nos países correspondentes, o processo de descentralização
complementa o processo de integração econômica. A descentralização
fiscal responsável, executada com critérios de eficiência
econômica, permite o controle civil quanto ao tamanho do setor público,
o que se torna supranacional no processo de integração regional.
O segundo dia de sessões do Grupo de Trabalho I iniciou
com a consideração do texto do relatório, o qual foi aprovado
em linhas gerais com modificações muito específicas. Em
seguida, o Dr. Claudino Pita esboçou algumas reflexões sobre as
experiências de integração na América relacionadas
à harmonização dos sistemas tributários. Neste sentido,
ele explicou os diferentes acordos regionais de integração que
apareceram no continente desde a década dos 60 até a atualidade.
Respondendo à pergunta sobre que modelo ou experiência pode ser
tomado como base para empreender a tarefa de harmonização tributária
no âmbito da integração econômica, o Dr. Pita explicou
que o caminho para alcançar este objetivo consiste em começar
com a homogeneização dos aspectos técnicos da tributação,
deixando a parte quantitativa referente aos níveis de imposição
refletidos pelo montante das taxas ou alíquotas, às decisões
de política tributária interna de cada país. Como exemplo,
mencionou-se que o imposto ao valor agregado deveria ser o mesmo na sua estruturação
em todos os países do hemisfério e que a diferenciação
estaria enquadrada nas alíquotas que cada país considerasse legítimo
estabelecer.
Foi enfatizado que em todo este processo de harmonização tributária
é indispensável que haja uma flexibilidade adequada, de modo que
os efeitos que ela produz não gerem rigidez na gestão das políticas
tributárias nacionais, e que o progresso do processo de integração
não exija uma maior coordenação destas políticas.
Em conseqüência, a recomendação específica nesse
assunto é que os modelos técnicos devem ser identificados como
pontos de referência, para poder-se obter uma estrutura tributária
harmônica que permita a cada país tomar decisões políticas
afim de assegurar o desenvolvimento social e facilitar os processos de integração
regional.
Manifestou-se uma preocupação sobre o progresso das negociações
da ALCA, dado que não se tem propiciado, nos parlamentos nacionais, o
debate oportuno sobre as legislações tributárias internas,
e sendo que esse tema incide em aspectos como a competitividade e a localização
dos investimentos, no momento em que começa a entrar em vigor o acordo
hemisférico.
Também se enfatizou a conveniência de encontrar um equilíbrio
entre a harmonização dos sistemas tributários (o que em
alguns casos significará a diminuição das arrecadações)
e as necessidades de financiamento da despesa pública no investimento
social.
O assunto de focalização exacerbada do formalismo jurídico
e do tecnicismo foi abordado no debate das reformas tributárias, o que
o afasta da perspectiva humanista que tem o ser humano como objetivo principal
em todas as políticas públicas.
Vários parlamentares coincidiram na necessidade da criação
de um parlamento supranacional que atenda de forma adequada às decisões
relativas aos acordos de integração, como é o caso dos
assuntos tributários.
Outro aspecto relevante que foi mencionado é a necessidade de abordar
com rapidez o impacto das economias informais nos países e o seu efeito
no processo de integração, e também de harmonização
tributária. Os parlamentares reconheceram a densidade da economia informal
nos nossos países e sua influência na eficiência das administrações
tributárias.
Após as intervenções dos parlamentares, a presidenta concedeu
a palavra ao Dr. Alberto Barreix, que fez referência a três temas:
§ Aspectos fiscais e tributários. Foi assinalado que este tema não
está incluído especificamente nos processos de integração
hemisférica; embora tenha sido um aspecto importante na União
Européia e no NAFTA.
§ Aspectos institucionais da integração. 1) A harmonização
dos processos alfandegários para favorecer o comércio; e 2) a
solução de controvérsias internacionais para outorgar segurança
jurídica nos investimentos. Sem estes aspectos a integração
se torna difícil.
§ Compensação entre setores e países. Enfatiza-se
que a União Européia tem tarifas e outros impostos cujo propósito
é o de financiar políticas e instituições comuns.
O objetivo comum em matéria tributária é
o de arrecadar impostos com eqüidade, sem afetar a competitividade dos
países.
Finalmente, para que a integração da América Latina seja
efetiva deve-se, necessariamente, levar em consideração os aspectos
tributários.