Grupos de Trabalho do 2 Assembléia Plenária
Panamá 2003
Grupo de Trabalho
I - Interação entre a política fiscal e o comércio,
o crescimento e o desenvolvimento social
Grupo de Trabalho II - O impacto
das crises econômicas e financeiras na região
Grupo de Trabalho III - As negociações
da Área de Livre Comércio das Américas
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Grupo
de Trabalho I
Interação entre a política fiscal e o comércio,
o crescimento e o desenvolvimento social
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Presidido pela Senadora Silvia
Hernández, do México.
A primeira sessão iniciou com as apresentações
do Dr. Claudino Pita, Diretor de Planificação e Estratégias
do Centro Interamericano de Administrações Tributárias,
seguido pelo Dr. Alberto Barreix, do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
O Dr. Pita fez uma palestra sobre "Harmonização
e Sistemas Tributários na América," na qual expôs
os principais fatos e os desafios relativos ao tema, que são:
a tecnologia das comunicações, a busca da competitividade,
a integração econômica, a interdependência,
o controle de preços de transferência, a tributação
e o comércio eletrônico, e a harmonização
tributária, entre outros.
Ele explicou que as características dos sistemas tributários
do continente, em termos gerais, são a eqüidade, de
forma que a carga tributária recaia sobre os contribuintes
de maior capacidade; a neutralidade, de modo que os impostos não
gerem distorções que determinem a posição
dos fatores de produção; e a simplicidade dos sistemas
que os torne transparentes, de confiança e de certeza jurídica.
O desafio suscitado é a obtenção de rendas
suficientes por meio da combinação destes fatores.
Os novos desafios nos conduzem à necessidade de realizar
reformas para adequar os sistemas tributários e, desta maneira,
evitar efeitos indesejáveis, tais como os incentivos que
reduzem a capacidade de execução das políticas
públicas do Estado. Neste sentido, conclui-se que o objetivo
das reformas futuras é o de alcançar a suficiência,
a eqüidade e a neutralidade.
O conferencista ressaltou que a necessidade de harmonizar os sistemas
tributários dos países da América se fundamenta
no fato de que, hoje em dia, há uma discriminação
contra os bens provenientes do exterior, uma distorção
nas condições de concorrência e na localização
dos investimentos.
O Dr. Alberto Barreix abordou o tema "Os Desafios da Política
Tributária relacionados com a Integração Econômica
Regional." Ele iniciou sua palestra mencionando a crise fiscal
pela qual passam todos os países da América Latina,
com um déficit fiscal que não conseguem superar. Ele
explicou que toda política fiscal consta de três componentes:
as rendas, as despesas e o financiamento.
Em relação à abertura comercial, o Dr. Barreix
indicou que essa contribui à redução e uniformidade
das taxas alfandegárias, o que limita a política industrial
e as rendas dos setores protegidos. Outro aspecto implícito
é a restrição das políticas setoriais
a políticas unicamente de incentivos tributários;
e também a equiparação de produtos e insumos
em nível internacional.
O conferencista afirma que a abertura comercial traz
consigo desafios inerentes à integração, assim
como as perdas de arrecadação por redução
tarifária. Por outro lado, ele mencionou que os subsídios
ou as barreiras tarifárias afetam os países em desenvolvimento,
porque baixam de maneira artificial os preços dos produtos
que não são subsidiados e, em conseqüência,
reduzem os cofres das nações, tanto as desenvolvidas
como as em desenvolvimento (renda perdida).
Do mesmo modo, o Dr. Barreix disse que é necessária
uma harmonização dos procedimentos alfandegários,
de maneira a permitir o cumprimento apropriado das normas de origem
e a institucionalização relativa aos acordos de resolução
de controvérsias e mecanismos que garantam a segurança
jurídica dos investimentos e melhorem a classificação
de risco-país.
Após a conclusão das apresentações,
seguiu um período de participação dos parlamentares,
que dirigiram perguntas e argumentos aos conferencistas dentro do
contexto da integração hemisférica.
Uma das constatações dos parlamentares foi a falta
de similaridade dos sistemas tributários da América
Latina com relação à ALCA e à União
Européia, o que gera o debate sobre com quem associar-se.
Isto tudo resulta em amplas negociações em nível
bilateral e plurilateral.
Uma das parlamentares participantes achou que se deveria tributar
as transações especulativas (capitais "andorinhas")
no mercado de divisas, conhecido como imposto "Tobin",
com exceção das transações destinadas
às operações de exportação e
importação de bens e serviços e de investimentos
em ativos produtivos, como é o caso dos investimentos estrangeiros
diretos.
Na mesa surgiram questões de importância fundamental
para o debate, tais como:
1. De que maneira a harmonização tributária
afeta o processo de integração?
2. Os atuais modelos tributários são compatíveis
com a integração à qual aspiramos?
3. A descentralização administrativa e tributária
é compatível com a integração, tendo
em conta que esta é uma decisão eminentemente política?
4. Como nivelar as economias em desenvolvimento para competir com
as economias desenvolvidas num esquema de abertura comercial, tendo
em conta as assimetrias que as caracterizam?
Em termos gerais, a sessão do primeiro dia
concluiu com as seguintes reflexões:
1. O período de perguntas e respostas iniciou com a interrogante
básica "os parlamentares querem ou não a integração?"
No transcorrer do debate, no entanto, concluiu-se que a integração
é um fato inevitável, a questão é como
fazê-la. A tarefa que enfrentam os parlamentares é
a de conseguir consensos tanto na harmonização tributária,
como em outros temas de integração.
2. A integração não é um fim em si mesmo,
senão um recurso para atingir o desenvolvimento sócio-econômico
do hemisfério. Uma das ferramentas mais importantes para
chegar a essa meta é um sistema tributário eqüitativo,
transparente e eficiente.
3. A integração procura alcançar o desenvolvimento
harmônico dos países membros. Por isso é necessário
reconhecer as diferentes situações relativas. A desigualdade
das condições existentes necessita de processos de
compensação afim de aproveitar todo o potencial econômico
para o benefício mútuo dos sócios, garantindo
a igualdade de oportunidades. Essas compensações podem
ser outorgadas como vantagens comerciais ou financeiras.
4. Nos países correspondentes, o processo de descentralização
complementa o processo de integração econômica.
A descentralização fiscal responsável, executada
com critérios de eficiência econômica, permite
o controle civil quanto ao tamanho do setor público, o que
se torna supranacional no processo de integração regional.
O segundo dia de sessões do Grupo de Trabalho
I iniciou com a consideração do texto do relatório,
o qual foi aprovado em linhas gerais com modificações
muito específicas. Em seguida, o Dr. Claudino Pita esboçou
algumas reflexões sobre as experiências de integração
na América relacionadas à harmonização
dos sistemas tributários. Neste sentido, ele explicou os
diferentes acordos regionais de integração que apareceram
no continente desde a década dos 60 até a atualidade.
Respondendo à pergunta sobre que modelo ou experiência
pode ser tomado como base para empreender a tarefa de harmonização
tributária no âmbito da integração econômica,
o Dr. Pita explicou que o caminho para alcançar este objetivo
consiste em começar com a homogeneização dos
aspectos técnicos da tributação, deixando a
parte quantitativa referente aos níveis de imposição
refletidos pelo montante das taxas ou alíquotas, às
decisões de política tributária interna de
cada país. Como exemplo, mencionou-se que o imposto ao valor
agregado deveria ser o mesmo na sua estruturação em
todos os países do hemisfério e que a diferenciação
estaria enquadrada nas alíquotas que cada país considerasse
legítimo estabelecer.
Foi enfatizado que em todo este processo de harmonização
tributária é indispensável que haja uma flexibilidade
adequada, de modo que os efeitos que ela produz não gerem
rigidez na gestão das políticas tributárias
nacionais, e que o progresso do processo de integração
não exija uma maior coordenação destas políticas.
Em conseqüência, a recomendação específica
nesse assunto é que os modelos técnicos devem ser
identificados como pontos de referência, para poder-se obter
uma estrutura tributária harmônica que permita a cada
país tomar decisões políticas afim de assegurar
o desenvolvimento social e facilitar os processos de integração
regional.
Manifestou-se uma preocupação sobre o progresso das
negociações da ALCA, dado que não se tem propiciado,
nos parlamentos nacionais, o debate oportuno sobre as legislações
tributárias internas, e sendo que esse tema incide em aspectos
como a competitividade e a localização dos investimentos,
no momento em que começa a entrar em vigor o acordo hemisférico.
Também se enfatizou a conveniência de encontrar um
equilíbrio entre a harmonização dos sistemas
tributários (o que em alguns casos significará a diminuição
das arrecadações) e as necessidades de financiamento
da despesa pública no investimento social.
O assunto de focalização exacerbada do formalismo
jurídico e do tecnicismo foi abordado no debate das reformas
tributárias, o que o afasta da perspectiva humanista que
tem o ser humano como objetivo principal em todas as políticas
públicas.
Vários parlamentares coincidiram na necessidade da criação
de um parlamento supranacional que atenda de forma adequada às
decisões relativas aos acordos de integração,
como é o caso dos assuntos tributários.
Outro aspecto relevante que foi mencionado é a necessidade
de abordar com rapidez o impacto das economias informais nos países
e o seu efeito no processo de integração, e também
de harmonização tributária. Os parlamentares
reconheceram a densidade da economia informal nos nossos países
e sua influência na eficiência das administrações
tributárias.
Após as intervenções dos parlamentares, a presidenta
concedeu a palavra ao Dr. Alberto Barreix, que fez referência
a três temas:
§ Aspectos fiscais e tributários. Foi assinalado que
este tema não está incluído especificamente
nos processos de integração hemisférica; embora
tenha sido um aspecto importante na União Européia
e no NAFTA.
§ Aspectos institucionais da integração. 1) A
harmonização dos processos alfandegários para
favorecer o comércio; e 2) a solução de controvérsias
internacionais para outorgar segurança jurídica nos
investimentos. Sem estes aspectos a integração se
torna difícil.
§ Compensação entre setores e países.
Enfatiza-se que a União Européia tem tarifas e outros
impostos cujo propósito é o de financiar políticas
e instituições comuns.
O objetivo comum em matéria tributária
é o de arrecadar impostos com eqüidade, sem afetar a
competitividade dos países.
Finalmente, para que a integração da América
Latina seja efetiva deve-se, necessariamente, levar em consideração
os aspectos tributários.
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Grupo
de Trabalho II
O impacto das crises econômicas e financeiras na região
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Presidido pelo deputado Marcelo Stubrin, da Argentina
O Grupo de Trabalho II abordou o tema "O impacto
das crises econômicas e financeiras na região".
A discussão esteve baseada na conferência magistral
do Dr. Roberto Frenkel, intitulado "Globalização
e crises financeiras na América Latina".
Concluída a palestra do Dr. Frenkel, os integrantes do Grupo
de Trabalho II fizeram suas contribuições citando
as seguintes considerações:
As crises financeiras são decorrentes de um sistema que,
atualmente, carece de regras que permitem prever o seu comportamento,
assim como demonstra a aparição sucessiva e recorrente
de episódios desta natureza em diferentes mercados emergentes,
incluindo países que, em um momento dado, foram considerados
modelos bem sucedidos de inserção na economia global.
As sociedades são menos vulneráveis às crises
financeiras e econômicas, na medida em que seu regime político
é mais democrático e transparente e suas contas públicas
administradas de forma ordenada. Portanto, um dos elementos necessários
que devem ser tomados em conta na edificação de sistemas
econômicos sólidos e estáveis, é a formulação
e implementação de políticas públicas
que controlam a corrupção. Do mesmo modo, o parlamento
desempenha nesta área um papel fundamental, produzindo instrumentos
legais adequados e modernos e supervisionando o comportamento correto
das autoridades e instituições encarregadas de executar
estas políticas.
Não obstante o anterior, comentou-se que a origem do problema
deste tipo de crise é multifatorial, por isso deveria considerar-se
elementos tais como: métodos de negociação
de dívida externa, determinação do risco soberano
que influi na taxa de juros, e também a ausência de
princípios reguladores comuns e regras claras que fortaleçam
a segurança jurídica neste setor. Ou seja, as soluções
devem ser aperfeiçoadas a partir de uma visão multidisciplinar,
porque além das implicações econômicas
deste tema, existem também considerações de
índole política.
Da mesma forma, determinou-se que nos últimos anos o saldo
líquido dos fluxos de capital na região tinha sido
negativo, sem que isso significasse uma redução da
dívida externa da América Latina, o que indica a necessidade
de buscar mecanismos que propiciem uma nova arquitetura financeira
internacional.
Preocupa muito o fato de que as crises financeiras possam impactar
severamente nos setores menos protegidos da sociedade, por via dos
ajustes orçamentários, já que desta maneira
diminui a credibilidade do sistema democrático e, conseqüentemente,
a capacidade de ação política dos governos
é debilitada.
Assim mesmo, é evidente que os países
pequenos são mais vulneráveis às crises, e
deve-se portanto levar em conta essa situação para
elaborar políticas econômicas conforme essa realidade.
Frente a essa situação, é importante que nossas
instituições e autoridades atuem com transparência
dentro de um esquema equilibrado, para assim controlar a corrupção
e estabelecer um ambiente com regras claras.
Sem desprezar o grave problema econômico e financeiro que
gera a corrupção, é importante ressaltar que
o sistema financeiro internacional funciona de maneira a produzir
grande instabilidade, o que requer a criação de formas
e regras que permitam aumentar os níveis de certeza nas relações
financeiras internacionais.
Essas formas e regras inovadoras eventualmente poderiam envolver
a cessão de parte da soberania dos estados nacionais a instituições
internacionais afim de reduzir o risco inerente à atividade
financeira internacional.
É imperativo que a comunidade internacional implemente uma
nova arquitetura financeira; é necessário aprofundar
os mecanismos de integração interregional e solicitar
às instituições financeiras internacionais
a revisão de suas propostas de política econômica,
no sentido de que as mesmas devem propiciar o crescimento econômico
e não se tornarem elementos adicionais que tendem a ocasionar
recessões.
Recomendações:
O papel das instituições interparlamentares, como
o FIPA, deve ser o de incentivar a cooperação horizontal,
o intercâmbio de práticas bem sucedidas, a homologação
normativa e a criação de fóros para a discussão
e o debate de temas cruciais e estratégicos para o fortalecimento
de nossas economias.
Portanto, é necessária a criação pelo
FIPA de um Grupo de Análise Periódica que estude a
situação financeira internacional. Este grupo pode
funcionar usando as ferramentas de conectividade virtual disponíveis.
É fundamental fortalecer a função de controle
e fiscalização do parlamento, a determinação
da orientação política e programática
de nossos governos, considerando os princípios de eficiência,
eficácia, economia e qualidade nos diferentes programas e
serviços públicos, assim como os indicadores que possam
ter sido definidos para medir os resultados da gestão institucional
e conseguir a transparência na prestação de
contas. Esta orientação deve servir para prever e
prevenir as conseqüências das crises financeiras.
Também é muito importante avançar rumo a novas
formas jurídicas que permitam a reestruturação
financeira dos países em um ambiente ordenado, evitando assim
que os problemas da dívida externa sejam agravados por fortes
recomendações que tenham um impacto na determinação
do risco soberano.
É preciso melhorar a qualidade da integração
da região, incluindo a coordenação de políticas
macroeconômicas, com a finalidade de fortalecer a posição
negociadora perante as instituições financeiras internacionais.
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Grupo
de Trabalho III
As negociações da Área de Livre Comércio
das Américas
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Presidido pelo deputado John Godfrey, do Canadá
O Sr. Peter E. Kirby participou como conferencista
e apresentou o documento intitulado "Atualização
sobre o processo da Área de Livre Comércio das Américas
(ALCA)" incluindo os acontecimentos mais recentes nas negociações
da ALCA. Esse documento serviu de base para as discussões
do grupo de trabalho que abrangeram uma série de temas do
rascunho do Acordo da ALCA, publicado depois da VII Reunião
de Ministros do Comércio, realizada em Quito em novembro
de 2002.
O Grupo de Trabalho III reafirmou as recomendações
sobre a ALCA aprovadas pelo FIPA na reunião inaugural realizada
em Ottawa em 2001 e na I Reunião Plenária realizada
na Cidade do México em 2002. O Grupo de Trabalho III destacou
especialmente as seguintes recomendações:
- Que a Área de Livre Comércio das Américas
se baseie numa convergência de valores políticos, econômicos
e sociais e contribua efetivamente a elevar o padrão de vida
dos povos, assegurar a igualdade de oportunidades, e melhorar a
distribuição da riqueza e a democracia;
- Que os Parlamentos, como representantes dos povos das Américas,
tenham um papel chave, efetivo e ativo nas negociações
e na assinatura de acordos comerciais internacionais;
- Que as necessidades de desenvolvimento dos países sejam
levadas em conta e constituam uma parte integral do processo de
negociação da ALCA em matéria de agricultura,
incluindo o reconhecimento da vulnerabilidade, da sensibilidade
e dificuldades estruturais dos setores agrícolas dos países
em desenvolvimento;
- A eliminação dos subsídios à exportação
e de outras práticas que afetam o comércio de produtos
agrícolas no hemisfério;
- Que as negociações da ALCA considerem os interesses
e inquietudes dos diferentes setores da sociedade, a necessidade
de um compromisso permanente com a transparência, e comunicações
crescentes e contínuas com a sociedade civil;
- Que a ALCA estabeleça regras claras, transparentes e efetivas
para prevenir e lidar com as práticas unilaterais e/ou protecionistas
sob um sistema comercial baseado na aplicação do direito;
- Que as negociações da ALCA levem em conta todas
as preocupações dos países em assuntos de propriedade
intelectual relativos ao acesso a recursos genéticos, conhecimento
tradicional e cultural, e o direito de cada país de adotar
medidas para proteger a saúde pública e proporcionar
acesso aos medicamentos para todos; e
- Que as diferenças nos níveis de desenvolvimento
e tamanho das economias do hemisfério sejam tomadas em conta
na ALCA e que as economias menores recebam o tratamento que necessitam
para garantir sua participação efetiva e benefício
na ALCA.
Além das recomendações orais e propostas incorporadas
durante o debate, o Grupo tomou nota de seis recomendações
por escrito, apresentadas pela deputada Patricia Gutiérrez,
da Colômbia, Senador Raymundo Cárdenas, do México,
Deputado Nathan Jorge Sevilla Gómez, da Nicarágua,
Deputado Jaime Vázquez Castillo, do México, e os deputados
Silvia Álvarez e Francisco Patiño, do México.
RECOMENDAÇÕES SOBRE A PARTICIPAÇÃO
PARLAMENTAR NO PROCESSO DA ALCA ATRAVÉS DO FIPA
Conscientes de que a fase final e crítica das
negociações da ALCA iniciou;
Preocupados pelas experiências e implementação
de acordos comerciais em vigor no hemisfério;
Convencidos da necessidade de trabalhar com base nas recomendações
já adotadas pelo FIPA e dar seguimento a estas recomendações
com ações concretas,
Nós, os Parlamentares das Américas,
recomendamos que o Comitê Executivo do FIPA empreenda as seguintes
iniciativas:
1) Estabeleça uma seção na página
da Internet do Parlamento Virtual das Américas para facilitar
o intercâmbio de informação em matéria
de negociações e implicações dos acordos
comerciais. A página web deveria oferecer aos parlamentares
informação, documentos e links a sites da Internet
sobre o processo da ALCA, e conduzir discussões ou sessões
informativas sobre temas relevantes às negociações;
2) Prepare e distribua, antes da próxima Reunião Plenária
do FIPA, um documento que dê seguimento a cada uma das recomendações
anteriores sobre a ALCA e que mantenha os parlamentares ao par dos
resultados ou progresso nos assuntos decididos pelos mesmos;
3) Explore mecanismos para beneficiar-se das experiências
e preocupações que surgem dos acordos comerciais que
já entraram em vigor, tais como o TLCAN ou outros acordos
regionais existentes nas Américas, firmados pelo Canadá,
Chile, Costa Rica e México, entre outros;
4) Estude o sistema adotado pelo Parlamento do Brasil como modelo
para monitorar e participar ativamente das negociações
da ALCA em nível nacional, e solicitar aos Chefes das Delegações
representadas nesta II Reunião Plenária que enviem
a informação existente ou notifiquem o Comitê
Executivo do FIPA sobre a adoção de mecanismos similares
no futuro. Essa informação será incorporada
à seção sobre a ALCA na página web do
Parlamento Virtual;
5) Estabelecer no FIPA um mecanismo para interagir, formalmente,
com os Ministros do Comércio no contexto da ALCA e manter-se
ao par das negociações. A "Conferência
Parlamentar sobre a OMC", adotada pela União Parlamentar
Internacional (IPU) constitui um modelo de como poderia funcionar
tal interação em nível hemisférico;
6) Apresentar uma comunicação formal representando
o FIPA, dirigida à Co-Presidência da ALCA do Brasil
e dos Estados Unidos para sua consideração nas negociações
da ALCA, incluindo os seguintes pontos:
§ Indicar nossa preocupação sobre
os benefícios potenciais e efeitos negativos que a ALCA poderia
ter em nossos países, considerando as diferenças nos
níveis de desenvolvimento e tamanho das economias e a iniqüidade
prevalecente nas Américas;
§ Considerar outros modelos de integração, tais
como o da União Européia, onde Fundos de Coesão
Social estariam à disposição para garantir
a efetiva participação e benefício de todos
os países da ALCA;
§ Abordar os assuntos agrícolas nas negociações
da ALCA, considerando a vulnerabilidade e sensibilidade particular
destes temas para todos os países da ALCA e a necessidade
de eliminar os subsídios agrícolas e outras práticas
que distorcem o comércio; e
§ Levar em conta as necessidades e condições
particulares de todos os países ao estabelecer datas limites
para a implementação do Acordo da ALCA; e
7) Discutir com a co-presidência da ALCA os
mecanismos potenciais para proporcionar a contribuição
do FIPA às negociações da ALCA sobre a implementação
e desenvolvimento futuro do Programa de Cooperação
Hemisférica (PCH) dentro da ALCA, especialmente no que tange
os fundos de ajuste social para o setor agrícola e manufatureiro.
Além do mais, recomendar que a ALCA considere
a criação de um fundo especial dentro do PCH para
a educação superior, ciência e tecnologia
que permita dotar os países em desenvolvimento da capacidade
científica e tecnológica para diminuir a brecha
com os países desenvolvidos e contribuir efetivamente ao
desenvolvimento econômico e uma melhor integração
dos países da ALCA.
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