O Grupo de Trabalho N8 4 sobre a Área de Livre Comércio
das Américas (ALCA) foi presidido pela Senadora Céline
Hervieux-Payette, do Canadá. O senhor Tom Oommem participou
como facilitador.
O grupo tratou do tema da integração
econômica no Hemisfério, destacando a necessidade de
uma participação ativa e eficaz dos legislativos nacionais
no processo de criação da ALCA. Delegações
de todas as partes do Hemisfério discutiram uma série
de temas com base em um resumo dos projetos de capítulo elaborados
pelos nove grupos de negociação do ALCA. Estes projetos
de capítulo foram publicados após a Terceira Cúpula
das Américas, realizada na Cidade de Quebec, Canadá,
em abril de 2001.
O Grupo de Trabalho tomou nota de uma exposição
da Delegação do México e da distribuição
de um Projeto de Lei Modelo sobre o papel dos legislativos nacionais
nas negociações comerciais. O Grupo agradeceu à
Delegação mexicana por sua iniciativa e concordou
em estudar a lei modelo no contexto de seus próprios sistemas
e práticas.
As Delegações do Canadá e do
México concordaram em criar um grupo de trabalho para realizar
o estudo dos efeitos do NAFTA nos sete anos de operação
desde sua entrada em vigor, incluindo o capítulo 11.
Área de Livre Comércio das Américas:
Conscientes de que a pobreza e a iniquidade limitam
as possibilidades de integração econômica das
Américas, e;
Convencidos de que a integração do Hemisfério
não deve se limitar exclusivamente a aspectos comerciais
mas, sim, levar em conta a dimensão social e ambiental dos
acordos comerciais
Nós, os Parlamentares das Américas,
Recomendamos que o processo de negociação
da ALCA deve fazer parte de um esforço mais amplo para criar
prosperidade e aumentar as oportunidades econômicas e, ao
mesmo tempo, promover a justiça social, a realização
do potencial humano e o desenvolvimento ambiental sustentado.
Situação na Argentina:
O FIPA expressa sua preocupação com
a crise econômica atravessada pela República Argentina
e os efeitos de tal crise sobre outras economias da região.
O Foro destaca a importância de facilitar a ampliação
das exportações argentinas como requisito para que
esse país consolide sua moeda e gere genuínos meios
de pagamento internacionais. Nesse sentido, durante as deliberações
foi assinalado que o fim dos subsídios que distorcem os preços
internacionais, bem como tarifas e restrições pára-alfandegárias,
ajudaria efetivamente a Argentina e representaria um avanço
no processo de liberalização do comércio.
Papel dos Parlamentos:
Seguros da importância de uma efetiva participação
dos Parlamentos nas negociações comerciais como representantes
dos povos das Américas, e;
Conscientes da vital responsabilidade de ampliar o
entendimento das implicações da criação
da Área de Livre Comércio das Américas,
Nós, os Parlamentares das Américas,
Recomendamos a introdução do processo
de negociação da ALCA como um tema de permanente discussão
em todos os legislativos nacionais como mateira prioritária
para todos os países do Hemisfério;
Recomendamos o intercâmbio de informação
e experiências entre os legislativos nacionais em mateira
de negociação e implicações dos acordos
comerciais.
Nós, os Parlamentares das Américas,
Reconhecendo o impacto do comércio internacional
sobre os povos das Américas;
Reconhecendo que o comércio exterior não
é apenas um assunto da competência dos empresários,
mas que tem que ver com o emprego, a renda, o nível de vida
e o bem-estar da população;
Considerando que os legislativos nacionais são
os legítimos representantes dos interesses da população;
Recomendamos que os legislativos nacionais das Américas
tenham uma participação decisiva na celebração
de acordos comerciais de qualquer natureza.
Transparência:
Convencidos da necessidade de um compromisso permanente
com a transparência e de uma comunicação crescente
e sustentada com a sociedade civil, e;
Notando a decisão de tornar público
o projeto preliminar do Acordo da ALCA após a Terceira Cúpula
das Américas.
Nós, os Parlamentares das Américas,
Solicitamos que nossos governos se assegurem que a
sociedade civil tenha uma percepção clara do desenvolvimento
do processo de negociação da ALCA e que considerem
a publicação regular do texto do Acordo da ALCA.
Acesso aos Mercados:
Reconhecendo o valor de um sistema multilateral e
regional de comércio internacional com base na aplicação
do direito;
Preocupados com ações unilaterais fora
do âmbito das regras internacionais de comércio que
privilegiam interesses locais ou domésticos;
Nós, os Parlamentares das Américas,
Solicitamos a nossos governos que evitem políticas
ou medidas unilaterais que limitem o acesso aos mercados e afetem
adversamente o comércio internacional e o investimento.
Recomendamos que o processo de negociação
da ALCA estabeleça regras claras e efetivas para prevenir
práticas protecionistas e que facilitem o comércio
no Hemisfério.
Agricultura:
Conhecedores da enorme importância da agricultura
na maioria dos países do Hemisfério.
Reconhecendo a vulnerabilidade, a sensibilidade e
as dificuldades estruturais dos setores agrícolas dos países
em desenvolvimento;
Nós, os Parlamentares das Américas,
Recomendamos que as necessidades dos países
em desenvolvimento sejam levadas em conta e constituam parte integral
do processo de negociação da ALCA em mateira de agricultura,
incluindo os métodos tradicionais de agricultura, segurança
alimentar e desenvolvimento rural;
Recomendamos a eliminação de subsídios
à exportação e de outras práticas que
afetem o comércio de produtos agrícolas no Hemisfério.
Recomendamos que as medidas sanitárias e fitosanitarias
sejam aplicadas de maneira a não se constituírem em
um meio de discriminação arbitraria ou injustificável
entre países ou em uma restrição encoberta
ao comércio internacional;
Investimentos:
Reconhecendo os complexos temas políticos e
técnicos na área de investimentos, incluindo a definição
de investimento, expropriação, requisitos de desempenho
e mecanismos de solução de divergências entre
um Estado e um investidor;
Nós, os Parlamentares das Américas,
Consideramos que o Estado de Direito é a melhor
garantia para os investimentos estrangeiros diretos;
Recomendamos que o processo de negociação
da ALCA estabeleça condições transparentes,
justas, estáveis e previsíveis, em especial tratando-se
de investimentos estrangeiros diretos, para prevenir o uso de disposições
ou interpretação de disposições em acordos
comerciais para promover exigências infundadas contra governos
nacionais.
Direitos de Propriedade Intelectual:
Reconhecendo que a propriedade e as políticas
sobre o uso de recursos naturais e culturais são parte dos
direitos soberanos de cada país do Hemisfério;
Nós, os Parlamentares das Américas,
Recomendamos que o processo de negociação
da ALCA leve em conta todas as preocupações dos países
em assuntos de propriedade intelectual relacionados com o acesso
aos recursos genéticos, conhecimento tradicional e cultural,
e o direito de cada país de adotar medidas para proteger
a saúde pública e o acesso de todos a medicamentos.
Serviços:
Reconhecendo que os serviços constituem um
setor-chave das economias dos países do Hemisfério;
Convencidos da amplitude e complexidade dos diferentes
setores cobertos nas negociações comerciais sobre
serviços;
Nós, os Parlamentares das Américas,
Recomendamos que o processo de negociação
da ALCA leve em conta todas as preocupações dos países,
em particular as relacionadas com serviços públicos
e/ou sensíveis, tais como saúde e educação,
que se encontram intimamente ligados à cultura e identidade
nacional.
Economias menores:
Conscientes das diferenças nos níveis
de desenvolvimento e tamanhos das economias do Hemisfério
e dos desafios que um processo de negociação como
a ALCA representa para todos os países participantes, e;
Acreditando que a integração econômica
não se poderá cumprir sem regras justas de comércio,
que levem em conta o nível de desenvolvimento e as diferenças
de desenvolvimento, e o tamanho das economias;
Nós, os Parlamentares das Américas,
Recomendamos que as economias menores recebam o tratamento
que merecem, para assegurar sua efetiva participação
nas negociações para a construção da
ALCA, incluindo a consideração de mecanismos de cooperação.
Acordos Subregionais e Consistência com a
OMC:
Conscientes dos numerosos acordos comerciais vigentes,
das negociações que estão sendo levadas a cabo
no Hemisfério e da necessidade de consistência com
as regras e disciplinas da OMC;
Nós, os Parlamentares das Américas,
Solicitamos a nossos governos que evitem disposições
inconsistentes com as regras e disciplinas da OMC e assegurem que
o eventual Acordo da ALCA possa coexistir com acordos comerciais
bilaterais e sub-regionais.
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